A Questão da escalada da violência nas grandes cidades

Este post não tem por objetivo esgotar a discussão acerca da situação do crime organizado nas metrópoles (ou ainda nas megalópoles), tão somente esclarecer pontos obscuros dessa questão, visa somente lançar um olhar crítico sobre essa polêmica que alcança a sociedade contemporânea e nos faz cada dia olhar com desconfiança a situação da prestação de serviços por parte do estado, das instituições e daqueles que por delegação deveriam estar à serviço da lei e da ordem.

O Caso do Rio de Janeiro sob a ótica histórica.

Segundo o entrevista do Prof. Helio de Araujo Evangelista à publicação da Universidade Federal Fluminense, o crime organizado no Rio de Janeiro passou por vários estágios, auxiliado pela instituição do jogo em 1892 e sua expansão para o subúrbio de forma menos glamorosa, a chamada “fezinha” ou mais especificamente o jogo do bicho. Essa expansão, ainda seguindo a entrevista do já citado Prof., que se dá “pela linha do trem” será marcada por violentos conflitos entre os bicheiros pelos pontos de venda, pelas áreas de influência e contra novos interessados que estavam interessados em ingressar nesse negócio. Nesse ambiente propício ao desenvolvimento de ações criminosas, foi introduzido o uso de cocaína na cidade maravilhosa.

Durante a década de 70, os senhores do jogo do bicho se aliaram ao narcotráfico que fazia do Rio um entreposto para os EUA e Europa, porém com a década de 80 com a chegada dos chamados “comandos” os bicheiros perdem a importância no mundo do crime e/ou passam a diversificar sua atuação e na década de 90 se lançam na indústria dos caça niqueis. E quem são esses “comandos”? Veremos mais adiante.

Durante o governo da ditadura militar (1964-1984) cometeu-se um dos maiores erros históricos já vistos nesse país, colocaram presos políticos tais como o jornalista Fernando Gabeira, que participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, juntamente com presos de justiça e ambos aprenderam a arte uns dos outros. Aqui temos um marco na organização do crime no Brasil, inseriram um elemento novo no contexto criminoso, antigos assaltantes de bancos e traficantes estavam aprendendo técnicas de guerrilha tais como: planejamento, ataque, sequestro, dissuasão e fuga, estavam formado os comandos dos quais o primeiro foi o Comando Vermelho cuja sigla CV era pintada nos alvos após as ações criminosas. Esses comandos (termo militar que designa uma unidade de elite preparada para executar determinadas missões), agora competiam entre si não pelos pontos de vendas de jogos, mas por pontos de vendas de drogas enquanto o estado recuava e deixava as comunidades menos favorecidas à mercê dessas associações criminosas.

Nos dias atuais, esses comandos evoluíram, atuam como empresas contratam treinadores entre ex-policiais e ex-militares (à semelhança das FARC’s Colombianas), financiam campanha de políticos e gozam de boa reputação entre os membros de suas comunidades ou seja, são o sonho de realização da maioria dos meninos e meninas que crescem nessas comunidades mas com o avanço das UPP’s-Unidades de Polícia Pacificadora, o crime organizado tem sido levado a tomar territórios onde elas ainda não foram implantadas, daí as constantes guerras urbanas que tem sido noticiadas na televisão e nos jornais.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais – BOPE (PMERJ)

Com o nascimento do Batalhão de Operações Policiais Especiais o BOPE (PMERJ) em 1978, a polícia do Rio de Janeiro dispunha então de uma unidade especializada em combate urbano, progressão em favelas, invasão e penetração não convencionais (ataques chegando de rapel e etc.) e combate em campo aberto com alvos a menos de 100 metros bem como ação sob fogo em vielas e becos, dispondo de equipamentos à altura, táticas avançadas e segundo um integrante da Guarda Nacional dos Estados Unidos: “É umas das melhores equipes de combate urbano do mundo. Nossas tropas no Iraque deveriam aprender com o BOPE”.

O panorama atual demonstra que uma guerra se estabeleceu entre o estado e o crime organizado com todos os elementos de uma guerra convencional, embora numa situação nada convencional, elementos esses tais como: inteligência, contrainteligência, espionagem, infiltração e como não poderia deixar de ser, o enfrentamento. Aqui temos uma peculiaridade do Rio, na maioria dos lugares do mundo os bandidos temem uma ação da polícia mas no Rio de Janeiro ao que tudo indica eles se acham tão preparados para esse enfrentamento que não se furtam a isso, muito pelo contrário eles até promovem esse tipo de peleja como no último sábado durante o tiroteio que culminou com a invasão do Intercontinental Hotel, e que colocou o Brasil nas manchetes internacionais de forma negativa. Mas a guerra é somente uma válvula de escape, mais adiante iremos tecer considerações ao modelo de desenvolvimento de cidades com ações proativas e efetivas para enfrentar o problema, continuaremos no próximo post. Até lá!

Fontes:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/especialista-diz-que-seguranca-tem-que-ser-pensada-para-hoje

http://www.feth.ggf.br/Segurança.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_de_Opera%C3%A7%C3%B5es_Policiais_Especiais_%28PMERJ%29

http://www.ilhagrande.org/Historia-Ilha-Grande/linha-do-tempo.html

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Sobre Fernando "Eagle" de Sousa
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